perdi a natação hoje porque, descendo a rua de casa, tinha um senhorzinho passando mal, estirado na calçada. confesso que, na pressa (já estava atrasada), nem tinha visto. mas um rapaz de moto, parou e perguntou para um dos ~fiscais~ da rua (aquela gente que fica sentada na calçada só tomando conta da vida dos outros nos bairros de subúrbio) se conheciam o senhor e se não iam ajudar. disseram: "a gente não sabe quem ele é, logo ele levanta". moram no bairro desde que me entendo por gente e, tomam conta de TODA a movimentação dessa ladeira. mas na hora que algum vizinho precisa de ajuda, é isso...
parei e fui ajudar o motoqueiro a descobrir onde o seu paulo morava para pedirmos ajuda. ele não sabia explicar direito. andei as ruas todas aqui do morro atrás de um "condomínio fechado" - nem sabia que tinha 3 vilinhas gradeadas por aqui. não encontrei o tal número 150 que ele havia me dado de indicação. voltei, 20 minutos depois, para o topo da ladeira onde ele estava e, finalmente, alguém que o conhecia tinha aparecido e indicado a casa certa - praticamente na frente do local onde ele caiu.
seu paulo estava com os braços ralados da queda, mas disse que não sentia dor. agradeceu infinitamente a mim e ao motoqueiro por termos parado para ajudá-lo. queria que a gente entrasse, conhecesse a casa dele e tomasse um café. infelizmente, nem o motoqueiro e nem eu tínhamos tempo para aceitar o convite. me despedi do seu paulo, falando para ele lavar com água e sabão os machucados.
ele agradeceu novamente e ainda apontou o outro ~fiscal~ da rua (dono da vendinha que tem aqui) numas de: "olha lá quem estava ali vendo tudo". esse certamente sabia onde ele morava, tava ali fazendo porra nenhuma, como todos os dias, e podia ter ajudado. mas preferiu ficar de longe, só observando, e colhendo fofoca para a tarde inteira.
moro aqui desde que nasci, mas já não sei quem são todos os vizinhos. não sabia quem era esse senhor, mas isso realmente não me importa. se estivesse andando na avenida paulista ou na teodoro sampaio ou em qualquer outra rua movimentada da cidade pela qual passo frequentemente teria feito a mesma coisa.
porque cuidar da vida dos outros para mim é isso.
sombras difusas
terça-feira, abril 10, 2012
sábado, maio 07, 2011
hibernação
não. ainda não matei este blog - e nem pretendo fazê-lo. é que estamos em obras por aqui e minhas vontades poéticas precisaram ser postas de lado por ora. estão hibernando, enquanto reorganizo a vida. muita coisa. pouco tempo. comecei outro blog, para anotações sobre música e comportamento, o ritornelos. mas também não tenho conseguido dar a atenção que ele merece. paciência. calma. aos poucos, as coisas estão se ajeitando. em breve, as palavras voltam a dar as caras por aqui e por aí... frequências sendo acertadas. desejos de rotina. vai ficar tudo bem, sim.
sexta-feira, dezembro 31, 2010
tudo de novo
Pois bem. Parece que está acabando, finalmente. E, depois, vai começar tudo de novo. Até quando? Não sabemos. E não há nada que possamos fazer a respeito. Apenas, aceitar: nossa ignorância e impotência diante do tempo.
Tentamos planejar a vida em função de horas, dias, meses, anos. Alguns, até, acreditam que algo mágico acontece na noite de 31 de dezembro e fazem pedidos ao ano novo. Só que o calendário não passa de um ritual, de uma crença compartilhada por todos nós de que contando o tempo temos algum controle sobre ele - ilusão que aceitamos em busca de conforto e que, cedo ou tarde, cairá diante do inesperado, do inevitável.
Prestes a entrar em minha terceira década, me parece um pouco inútil crer que após uma espetacular queima de fogos alguma coisa vai mudar. Drummond que me perdoe, mas, pessoalmente, dispenso a esperança industrializada da época. Prefiro depositar minha fé em pequenos milagres cotidianos.
Me rendo ao sorriso fácil e sem pressa das pessoas nas ruas aproveitando para passear nestes poucos dias de folga; gosto de ver o trânsito mais tranquilo, a cidade meio que desistindo de lutar contra o tempo. Fico pensando que poderia ser diferente...
Está acabando. E, depois, vai recomeçar... Até quando? Não sabemos. E não há tempo para promessas e previsões. Aceite: viva.
Tudo de novo.
E de melhor.
Até breve,
Tentamos planejar a vida em função de horas, dias, meses, anos. Alguns, até, acreditam que algo mágico acontece na noite de 31 de dezembro e fazem pedidos ao ano novo. Só que o calendário não passa de um ritual, de uma crença compartilhada por todos nós de que contando o tempo temos algum controle sobre ele - ilusão que aceitamos em busca de conforto e que, cedo ou tarde, cairá diante do inesperado, do inevitável.
Prestes a entrar em minha terceira década, me parece um pouco inútil crer que após uma espetacular queima de fogos alguma coisa vai mudar. Drummond que me perdoe, mas, pessoalmente, dispenso a esperança industrializada da época. Prefiro depositar minha fé em pequenos milagres cotidianos.
Me rendo ao sorriso fácil e sem pressa das pessoas nas ruas aproveitando para passear nestes poucos dias de folga; gosto de ver o trânsito mais tranquilo, a cidade meio que desistindo de lutar contra o tempo. Fico pensando que poderia ser diferente...
Está acabando. E, depois, vai recomeçar... Até quando? Não sabemos. E não há tempo para promessas e previsões. Aceite: viva.
Tudo de novo.
E de melhor.
Até breve,
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