deve existir alguma beleza nas coisas sem sentido; naquilo que, a princípio, pode até nos assustar, por não conseguirmos compreender; mas fascina, também, pelo absurdo.
como a menininha que anda por aí, acompanhada por um balão vermelho, vendo homens flutuantes, num lindo vídeo, regravação uma música bonita, que uma editora estúpida não me deixa compartilhar direito por aqui (indico-lhes o link, entretanto).
ou na mesma bela e antiga canção, interpretada agora por uma cantora esquisita de quem gosto bastante, serena - sorrindo, até - apesar de envolta por um descabido balé de violência gratuita.
são coisas escritas numa época em que jovens ainda alimentavam utopias; em que as pessoas tinham esperança, apesar de toda a desgraça que viam pelo mundo. que o amor não era "só uma bobagem" - desqualificado pelo cinismo vigente.
uma época que somente conheço pelas músicas e pelas histórias que os livros e os mais velhos contam. mas a qual me volto (atualmente, com uma frequência maior do que a por mim desejada), para tentar não me perder das coisas em que acredito.
em dias como os de hoje, em que a discórdia é regra e a vontade de comprender e ajudar os outros é atirada no lixo em brigas de ego; em que a intolerância reina (e não só no irã), em que a tal da democracia sofre golpes (e não só em honduras)... todas as minhas infinitas dúvidas se transformam apenas numa tristeza imensa.
retorno, pois, a esta música antiga, pra colocar algum encanto nesse filme nonsense que vivemos.
mudei, de novo, a cara deste blog. também mudei (estranhamente) meus hábitos. diz a astrologia que é o sol na quarta casa contrastando com a lua na sétima. não entendo muito bem isso (sou mais curiosa do que estudiosa do assunto). mas procede o que a análise do meu céu pessoal tem dito: choque entre necessidade de introspecção e desejo de agradar o(s) outro(s). em geral, tenho optado por ficar quieta no meu canto. em silêncio. estou com uma sensação esquisita há tempos - já falei disso aqui. nos últimos dias, parece que ficou mais forte. incomodada com algo que não sei precisar o que é. mas me perturba. e bastante.
tenho me ausentado sistematicamente de aniversários, churrascos, enfim... não tem nada a ver com os anfitriões ou os demais convivas das festas. é só uma enorme fadiga social. não estou muito afim de conversar, sabe? não socialmente, não sobre amenidades. não quero falar sobre o triste fim de michael jackson - o 11 de setembro pop, com toda a reflexão sobre como as novas mídias cobriram melhor o acontecimento do que as tradicionais. não quero discutir qual o melhor disco lançado este mês - mesmo porque, certamente, não o escutei; ando com preguiça sonora também - só agora rompo o silêncio auto-imposto e coloco alguma música para tocar por aqui.
e são melodias dramáticas de acordeões que me trazem algum alento nesse dia frio e chuvoso. como fora, há algumas semanas, um woody allen de cores latinas que me botou pra pensar com uma cena, ambientada em barcelona: cristina dizendo que vai embora da casa de juan antonio e maria elena gritando para ela: "você tem insatisafação crônica!"
... respira. correria insana e noites mal dormidas. logo, espero, as coisas se ajeitam e volto a ter algum tempo pra escrever por aqui. enquanto isso, compartilho duas coisas inspiradoras que vi recentemente:
- the dark night of the soul (dica do bonifrate): livro de fotos do david lynch, inspiradas por um álbum (impedido de ser comercializado pela gravadora) do danger mouse e do sparklehorse, com participações de um monte de gente legal. procurem por aí, vale a pena. começa com flaming lips:
- é sexta-feira, foge comigo: coisa mais emocionante que vi em muito tempo. música, vídeo e literatura. gosto, especialmente, deste "o amor", narrado pela querida sónia, do the gift: