katia abreu
Pois bem. Parece que está acabando, finalmente. E, depois, vai começar tudo de novo. Até quando? Não sabemos. E não há nada que possamos fazer a respeito. Apenas, aceitar: nossa ignorância e impotência diante do tempo.

Tentamos planejar a vida em função de horas, dias, meses, anos. Alguns, até, acreditam que algo mágico acontece na noite de 31 de dezembro e fazem pedidos ao ano novo. Só que o calendário não passa de um ritual, de uma crença compartilhada por todos nós de que contando o tempo temos algum controle sobre ele - ilusão que aceitamos em busca de conforto e que, cedo ou tarde, cairá diante do inesperado, do inevitável.

Prestes a entrar em minha terceira década, me parece um pouco inútil crer que após uma espetacular queima de fogos alguma coisa vai mudar. Drummond que me perdoe, mas, pessoalmente, dispenso a esperança industrializada da época. Prefiro depositar minha fé em pequenos milagres cotidianos.

Me rendo ao sorriso fácil e sem pressa das pessoas nas ruas aproveitando para passear nestes poucos dias de folga; gosto de ver o trânsito mais tranquilo, a cidade meio que desistindo de lutar contra o tempo. Fico pensando que poderia ser diferente...



Está acabando. E, depois, vai recomeçar... Até quando? Não sabemos. E não há tempo para promessas e previsões. Aceite: viva.

Tudo de novo.

E de melhor.

Até breve,